Considerações: um mês e meio com KDE 4

Boa noite a todos,

Depois de bons tempos me incomodando com o Gnome 2.x, depois de migrar para o XFCE (Xubuntu), depois pular para o KDE customizado do Ubuntu (Kubuntu), me animei ao ver o anúncio do Linux Mint com Gnome 3.

Fiz a instalação dele normal e depois de alguns dias testando começaram a pipocar os “pequenos de nós dois”. O Gnome 2.x tinha o problema das janelas que eram pra abrir em segundo plano que ficavam saltando sobre as janelas ativas, e a versão 3 do Gnome veio com o chato caso do congelamento da atualização das imagens do X depois de executar alguns “Alt+tab”.

O Gnome 2 tinha o bacana das mensagens de notificação no cantinho superior direito, que funcionava muito bem por sinal, no Gnome 3 as mensagens usavam a barra toda na parte inferior da tela…toda vez que você leva o cursor para a parte baixo da tela a barra transparente das mensagens aparece e impede o click.

Mensagens de notificação.

Quase todas as ações de janelas suspensas do sistema foram embutidas nas notificações, como por exemplo o progresso de descompactação de arquivos, upload, cópia, erros, etc.

Numa comparação ao Gnome 2, a versão 3 ficou mil vezes melhor, com um melhoramento visual e funcional incrível, mas não atendeu o que eu realmente queria. Depois de alguns tempos me batendo com o “Alt+Tab” matador, decidi experimentar o Linux Mint 12 com KDE nativo. Eu confesso, fui do grupinho de resistência contra o KDE, sempre achei ele “muito diferente”…enfim, hoje a minha opinião é bem diferente.

Recursos

A qualidade visual do KDE sempre foi a sua marca registrada, desde tempos atrás, ele já tinha um visual bem melhor do que comparado ao Gnome, XFCE, etc., mas o que me surpreendeu foi depois de começar a usar mesmo o ambiente e explorar todos os seus recursos.

Começando pelo recurso de busca integrada no menu principal e também no launcher “Alt+F2” superior. Com o uso do serviço de indexação de arquivos, fica bem sossegado de procurar os seus arquivos sem ter que usar o mouse e navegar por pastas.

Recursos de busca e inicialização rápida.

O desktop que na verdade não existe :), também ficou bacana. Podemos combinar os widgets de acordo com o que precisamos, no meu caso eu coloquei o widget do Facebook e da previsão do tempo, mas existem milhares no repositório que você pode instalar com um click.

Plasma desktop com widgets.

Já estava esquecendo de comentar, no Ubuntu 11.x, a interface que veio como principal foi a Unity, inovadora, diferente, mas na minha opinião não emplacou os usuários, conheço apenas uma pessoa que gostou dela.

Gerenciador de Arquivos

O gerenciador de arquivos Dolphin está muito bom, ficou com uma gama de recursos combinados que nos ajudam um monte, principalmente no meu caso logo porque trabalho com desenvolvimento e não abro mão de usar um ambiente Linux nas minhas atividades. Começando pelo organização dos itens na janela:

Gerenciador de arquivos Dolphin.

Um recurso bastante legal é poder posicionar as janelas lado-a-lado colando-as nas laterais da área de trabalho, me lembro desde recurso lá do Windows Seven, mas acho que a MS não foi a autora disto, mas é um recurso ótimo para casos de ter que ficar alternando entre janelas.

Posicionamento de janelas (não só com o Dolphin)

O menu de contexto também ficou bem legal, com diversas opções que vem por padrão além de dar suporte para plugins adicionais, um que eu tinha testado era do Drop Box e do SVN.

Menu de contexto do Dolphin.

O gerenciador de redes ficou interessante, principalmente para as redes sem fio, porque apresenta de forma fácil as informações que geralmente precisamos como o endereço IP, quantidade de dados trafegados, redes disponíveis (óbvio), além de um gráfico de uso da banda.

Gerenciador de rede.

Assim como no Gnome 2/3 e no XFCE, algumas vezes que me conectei em redes novas, usando o gerenciador gráfico, simplesmente tive que reiniciar para que ele assumisse as configurações da nova rede, mesmo realizando como super usuário não conseguia deixar a rede funcionando na primeira configuração.

Desenvolvimento

Usei por muito tempo o Ubuntu, desde a versão 10.04, posso dizer que aprendi a usar Linux a partir deste tempo, tudo o que eu precisava eu conseguia deixar rodando…as vezes meio bugado mas seguindo. Me lembro que a primeira vez que instalei o KDE, achei show de bola o visual, configurei todos os recursos do mundo Java, só que me lembro que o Eclipse ficava totalmente desconfigurado visualmente devido as sobreposições feitas pelo KDE.

Nesta versão nova do KDE ainda existem modificações, só que agora elas ficaram muito bem encaixadas no look and feel da IDE.

Eclipse IDE no KDE.

Bom, como tudo não é um mar de rosas, o que fica faltando de verdade é um bom frontend para MySQL. Neste momento alguns irão reclamar que X ferramenta atende 100% do que precisa e N outros motivos mais. Só que a verdade é que nem a MySQL dá um suporte descente para o MySQL Workbench e para o MySQL Query Browser. Ambas as versões são muito fracas nos ambientes Linux.

MySQL Query Browser no Linux Mint com KDE.

Mesmo que no site oficial eles digam que as versões do Linux são as mesmas liberadas para o Windows eu acredito que no caso do MySQL Query Browser, ela deva estar na versão 0.1 ainda. Verdade!

Eu usava na época do Windows Seven e PHP o editor SQLYog, na minha opinião este é o melhor editor, encaixava 100% no que eu precisava. Uma pena que não existe uma versão para Linux, e mesmo quando eu emulo, a visualização dele e recursos ficam bem comprometidos.

Performance

A minha estação de trabalho na empresa possuía apenas 2 gb de memória RAM, ou seja, rodando em um ambiente com Windows Seven e usando versões recentes do Eclipse IDE, JasperReports e mais algumas janelas abertas, é claro que faltava memória, e muita!

Depois de me sentir confiante o suficiente, resolvi fazer um teste migrando para o Linux Mint 12 com KDE, e para minha surpresa agora está sobrando memória, literalmente. Mesmo com todas as ferramentas Java rodando somadas as demais aplicativos normais do meu uso, o consumo de memória é relativamente baixo (e isso sem retirar nenhum efeito do ambiente gráfico).

Não é uma ida da água suja ao vinha italiano da melhor safra, as vezes os aplicativos ficam o dia inteiro abertos e no final do dia acontece de dar um estouro de memória e daí ficar lento devido ao uso da SWAP em disco. Vale lembrar que o processador é um Athlon X64, ele guenta muito tranco, eu sempre aviso o pessoal para colocar mais 2 gb de memória pelo menos (que hoje em dia 4gb é meio que um padrão e atende bem).

 Considerações finais

Depois de experimentar o KDE 4 posso dizer que voltei a gostar de usar Linux (love me tender…), de verdade. Antigamente fica angustiado em usar ambientes Linux e queria voltar logo para o Windows XP, hoje isso é bem ao contrário, e não é desmerecendo a excelente interface e usabilidade do Windows Seven e também do antigo XP.

Termino assim o meu relato do uso do KDE 4.

Referências

http://www.wiredrevolution.com/gnome/fix-alt-tab-task-switching-in-gnome-shell

https://bugzilla.redhat.com/show_bug.cgi?id=718420

http://www.webyog.com/en/

http://www.kde.org/

 http://hdw.eweb4.com/ (Site de wallpapers em alta definição)

http://linuxmint.com/

http://www.ubuntu.com/

Linux